Marcos Aurelio

Olá, sou Marcos Aurélio e trabalho com ilustração profissional desde 1991!

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Ataque das silhuetas

Ataque das silhuetas

Os livros sobre como desenhar ou pintar estão repletos de explicações teóricas e práticas sobre diversos fundamentos mas implica que o leitores, alunos, estudantes ou entusiastas do tema façam uso das explicações apresentadas para que crie um vínculo entre a teoria e a prática.

Você somente cria memória muscular se praticar e por sua vez faz o registro intelectual por consequência da aplicação dos fundamentos e um desses que mais aprecio, tanto para praticar quanto para usar de forma efetiva em meus projetos de ilustração comercial, é o uso das silhuetas tanto as observadas para interpretação artística quanto criadas e construídas para meus projetos comerciais.

São uma das melhores formas extremamente funcionais para perceber e representar ambientes e que nos ajudam a desenvolver melhor as composições e para a obtenção do melhor equilíbrio visual nas obras que estão sendo produzidas.

Nas últimas postagens, como a recente “Primeiro a Luz e depois câmera, ação”, revelei o quanto faço uso da prática dos fundamentos através do uso dos audiovisuais como referência para aumentar minha percepção em identificar a proporção das formas e aplicação prática das técnicas de ilustração e acabamento.

Fortaleço a sensibilidade para melhor identificar e representar artisticamente as silhuetas  de várias formas e muitas delas ocorrem sem querer por simplesmente manter uma espécie de olhar curioso ao ater-me ao que é captado pelos sentidos durante a percepção de distâncias, espaçamentos, proporções, ângulos e formas em todo lugar e a qualquer momento do dia através da simples vivência diária em interagir com o ambiente ao meu redor.

Acredito que você já deva ter notado o uso intenso que uma pessoa faz dos espelhos para estacionar seu veículo em uma vaga onde, nesse procedimento, o motorista avalia o tamanho do espaço disponível e o quanto suas manobras garantirão que não atingirá outros carros estacionados.

O exemplo acima é um dos mais comuns referentes à percepção do chamado espaço negativo, aquele ao redor dos objetos porém quando o motorista usa os carros estacionados como limites para suas manobras ele está atento ao espaço positivo que eles representam, ou seja, suas formas preenchidas, seus contornos, suas silhuetas.

Interessante que isso me fez lembrar uma antiga postagem intitulada “Silhuetas de Pelé”, que faz alusão à esse tipo de análise e medição de espaços e formas ao redor que o atleta possivelmente fazia enquanto ultrapassava adversários ao conduzir a bola mas, no meu caso em que também devo trabalhar rápido e de olho no relógio,  o uso da atenção ao espaço negativo durante a produção da ilustração comercial é feita de maneira intensa tornando-se uma das melhores ferramentas criativas para preparar minhas artes.


Representação de um momento do filme “Ataque dos câes” com os elementos externos ao ambiente principal da cena com identificáveis espaços e silhuetas que represento com linhas as silhuetas principais e, à direita, um acabamento básico para indicar a intensidade da minha percepção geral da filmagem.

Recentemente vi a um filme onde é perceptível o uso inteso do espaço negativo feito pelo diretor de fotografia para criar uma linguagem, ora sutil ora intensa na apresentação dos atores, elementos de cena, formas e silhuetas que acaba potencializando a dramaticidade dos ambientes e é claro de todo o filme com crescentes níveis de imersão durante sua apresentação.


A maneira como as silhuetas aparecem em cena é um show a parte pois trazem um ótimo uso dinâmico do espaço negativo para as formas que fluem de forma orgânica e natural durante a apresentação do filme.

Esse filme, “O ataque dos cães”, é marcado por belos recortes dos elementos em cena e com uma sutiliza no impacto visual que traz uma beleza estética em sua observação e constante avanço da trama que em alguns momentos me deu a impressão de estar vendo os storyboards em transparência nas cenas como que se fosse possível perceber o processo de construção das mesmas.

É um filme com contraste e iluminação intensa em vários momentos, principalmente naqueles que definem plenamente a silhueta dos personagens ou ao criarem nos ambientes escuros momentos de contra luz e até com o uso daqueles pequenos fachos de luz que destacam partes do rosto em estilo “olhos da Mortiça” no filme Família Adams.

Fazer ilustração comercial é usar a iluminação para destacar as formas e favorecer a informação visual que deve ser apresentada de maneira clara e na maioria dos casos de forma mais técnica descritiva do que artística e subjetiva.

Minha interpretação artística das cenas nesse filme foi inspirada principalmente pelas silhuetas destacadas tanto dos personagens quanto dos elementos em cena que interagem entre si e percebidos em camadas distintas.

Logo, a prática que procuro manter de interpretar artisticamente cenas dos audiovisuais que vejo acaba tornando-se uma espécie de desconstrução do que vejo para tentar criar um mapa dos possíveis caminhos usados na construção visual para aquele momento da obra.

O ator Benedict “Dr. Estranho” Cumberbatch juntamente com os outros protagonistas e atores tem suas interpretações muitas vezes apresentadas através de silhuetas destacadas em várias situações como no tipo e intensidade de iluminação usada nas cenas internas, com suas formas recortadas e definidas, em outros momentos com a eficiente mudança do foco que resulta em silhuetas difusas e que alternam as distâncias entre os elementos que estão em planos diferentes na respectiva cena.


Em vários momentos temos, além de silhuetas bem definidas, a presente mudança de foco que potencializa a atenção para a distância dos elementos em cena.

Deixe nos comentários o que achou do filme caso o tenha visto ou se tem na lembrança alguma outra obra audiovisual em que os elementos em cena estavam com os espaços entre si bem definidos ou perceptíveis graças à iluminação.

Obrigado pela leitura e Sucesso ara você!!

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