Marcos Aurelio

Olá, sou Marcos Aurélio e trabalho com ilustração profissional desde 1991!

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Copiar, interpretar e inovar

Copiar, interpretar e inovar

A ilustração comercial esconde, independente da técnica escolhida, diversos processos criativos que foram empregados para o preparo do seu desenho básico inicial e que mais tarde receberá toda as etapas de acabamento.

Basicamente, durante a apreciação de projetos artísticos, o que temos como valor de importância, é o resultado visual que encanta e causa sensações ao espectador e assim não me importo muito em saber, num primeiro momento,  qual foi o método utilizado na produção da respectiva obra porém, como sou curioso e pesquisador de como são feitas as coisas, vide minha postagem “Tesoura, cola e chave de fenda” , acabo me interessando por projetos com variados processos criativos, desde a ideia básica até sua finalização.


Nesse mural em giz, utilizei a técnica do quadriculado para focar minha aenção e tempo disponível apenas na execução da arte em si pulando a etapa de desenhar antes. Esse recurso me garantiu eficiência versus tempo disponível. Os prazos muitas vezes determinam as escolhas para melhor executar o trabalho.

Nas artes visuais temos recursos que vão do simples copiar a lápis usando-se uma folha translúcida sobre fotografia impressa até as sofisticadas técnicas digitais de performance capture para audiovisuais em que o estúdio especializado em CGI, Computer Graphic Image, faz a captura dos movimentos de um dançarino, exemplo, e os traduzem em dados digitais para um objeto tridimensional nas profundezas do programa de computador que passa a reproduzir os mesmos  movimentos de maneira exata e com a possibilidade de ser executada por quantas cópias se queira fazer do objeto.

Em nosso dia a dia, fora o tradicional “copy/paste” na digitação ou o tão falado “comportamento de manada” na vida social temos ao nosso redor resultados oriundos de cópia e repetição para, por exemplo, a produção em larga escala e em série nas linhas de montagem, na singela uniformidade dos pontos feitos no crochê ou máquinas de costura, nos movimentos repetitivos em escritórios que levam funcionários à licenças médicas por causarem problemas musculares ou na prática dos fundamentos artísticos feita de modo repetitivo que garantem nossa proficiência para dominá-los.


Na produção da minha primeira arte usando uma #cintica eu usei diversas cópias de ícones para preencher o fundo da popart “Retrato de Ivone”.

Filosofei demais e fugi um pouco do cerne dessa postagem mas para dar ênfase nas ações de  “cópia e repetição” para mostrar que estes, presentes e espalhados em nossas práticas,  trazem extensas e importantes consequências, positivas ou não, para nossa sociedade.

Minhas atividades como ilustrador profissional tem em seus processos criativos o muito que aprendo interpretando cenas de audiovisuais que uso como modelos de referência para meus exercícios artísticos para aperfeiçoar a prática dos fundamentos de arte.


Interpretação com giz feita a partir de vários pedaços de cenas do filme Star Wars Uma nova esperança em que uso uma mídia simples, tradicional onde luz e sombra são explorados ao máximo e combinando as imagens para criar uma dinâmica que conta uma história para essa versão de pôster de cinema.

É interessante notar o quanto ficamos admirados pelas conquistas dos antigos povos que, na sua maioria, procuravam basicamente, devido à suas limitações técnicas, maximizar os poucos recursos disponíveis através da criatividade potencialidade pela necessidade para solucionar problemas.

Senão vejamos, em Machu Pichu no Peru descobriu-se que, não foram os deuses astronautas que fizeram com que as pedras fossem empilhadas milimetricamente para os muros e fortificações que compõem a histórica cidade e sim tempo, paciência, dedicação e uso de um engenhoso e simples sistema de copiar a curvatura e reentrâncias de determinadas rochas, usadas como tijolos de grandes dimensões, para encaixarem-se perfeitamente em outras que eram diferentes no formato(figura).

A rocha após posicionada tinha o lado protuberante copiado via haste de madeira para guiar o entalhe da face de outra rocha que seria fixada em seguida com precisão.

Existe algo que acontece na ilustração comercial, de maneira mais intensa com o passar do tempo, que é a solicitação para que o ilustrador profissional – possuidor de uma certa flexibilidade e conhecimento de diversos fundamentos –  possa emular estilos de outros artistas ou determinado estilo para a produção de sequências de ilustrações solicitadas por determinados clientes.

Isso acontece por que muitas vezes o ilustrador original não está disponível que pode ser por agenda ocupada, saúde comprometida, aposentadoria ou simplesmente não ser economicamente viável para o cliente e assim torna-se necessário encontrar artistas que entendam o estilo solicitado, a partir de amostras fornecidas pelo cliente, para a possibilidade de execução de todo um projeto a partir do estilo de outro artista.

Trabalhando com ilustração comercial para os mais diversos clientes e projetos passei a entender mais facilmente como executar trabalhos que demandassem a emulação de estilos mas sempre cabendo a mim aceitar ou não o compromisso porém, uma vez aceito, a responsabilidade aumenta pois o cliente contará de maneira total em meu trabalho.


Existem vários níveis de trabalhos que me são solicitados e na categoria didáticos alguns editores gostam de refazer antigas artes mas mantendo-se a essência da informação:
A) Arte referência, B) Arte produzida.

Como foram poucos os trabalhos que neguei acabei por desenvolver um método baseado em observação, análise, testes e emulação dos estilos solicitados de maneira rápida e prática e que trouxe ótimos resultados pois sempre consigo encaixar meu estilo naquele solicitado.

Pensando bem, produzi e produzo muitos pedidos de ilustração comercial no padrão “…faça uma arte no estilo dessa da referência” mas cuja a produção nunca me aborreceu ou incomodou pois sempre tive em mente que o objetivo principal da ilustração comercial é o de reforçar visualmente a informação e, acrescento, independente do estilo solicitado. Dessa forma, mantenho o foco e procuro fazer o melhor para seguir as recomendações do solicitante para garantir aprovação do material entregue para o caso de surgirem emendas, que elas sejam mínimas ou inexistentes.


Não basta apenas fazer interpretações de temas de forma previs´vel mas também a de explorar outras possibilidades criativas de forma espontânea como a  incorporação de elementos que tornam interessante e divertido sua arte como no meu Beethoven em uma mistura visual entre o clássico e o contemporâneo feita a partir da lembrança da capa de um caderno que tinha nos anos 80:
á direita como comecei a proposta e á esquerda como ficou após a lembrança.

Deixe nos comentários se já fez ou faz uso de desenhos copiados, de forma integral ou parcialmente, para estudar ou produzir suas artes.

Obrigado pela leitura e Sucesso para você!!