Marcos Aurelio

Olá, sou Marcos Aurélio e trabalho com ilustração profissional desde 1991!

+55 11 972945255
contato@marcosaurelio.art.br

Assinar a Newsletter

Digite seu endereço de e-mail para receber notificações de novas publicações por e-mail.

O original sempre será original

O original sempre será original

No início de minha profissão como ilustrador profissional, quando recebia as informações necessárias para a produção de uma ilustração, o tal briefing, bastava basicamente produzir um layout, bem organizado e definido, para em seguida levá-lo até o cliente para que este pudesse avaliar cores, proporções, a correta representação da ideia/proposta entre várias análises e após isso era liberado(com ou sem ajustes ou até mesmo todo reformulado) para a finalização que seria iniciado assim que voltasse para o estúdio.

Em alguns casos após a arte já ter sido finalizada e entregue havia a possibilidade de ajustes ou correções de última hora mas na maioria das vezes a arte era aprovada para ser utilizada pelo cliente.

As vezes, devido à urgência, as informações chegavam por fax( você sabe o que é fax né?), adiantando a etapa de visitar o cliente e fazer reunião de briefing ou através de uma conversa telefônica.

Como o cliente já conhecia meu trabalho e eu as suas necessidades tornava-se mais seguro a produção da arte e assim obter o resultado correto.

Após todo o trabalho feito e utilizado pelo cliente era possível conseguir os originais de volta mas a grande maioria se perdeu.

A era digital aconteceu, de forma prática,  para mundo no início dos anos noventa e quase ao no mesmo momento que iniciava minha carreira profissional.

O que eu não esperava é que após sua chegada algo incrível aconteceu e que foi o de transformar artes originais em arquivos de dados digitais.

As artes e ilustrações de meus projetos passaram a ser produzidas dentro dos confins do universo interno do computador pois não era possível tocá-las mas sim apenas vê-la na tela do monitor e para trazê-la para nossa realidade era necessário fazer sua impressão em papel.

Ela tinha que ser transformada em algo real diferente dos intangíveis pixels de imagem.

A partir daí foram surgindo as necessidades para aprender a regular e ajustar o balanço de cores dos programas, as cores, brilho e contraste do monitor para depois encontrar uma impressora que fosse o mais fiel possível às características da imagem criada.

A má notícia é que até hoje esse problema de encontrar o WYSYWIG* perfeito persiste.

*Sigla criada para a frase “What You See is What You Get”

A livre tradução seria “O que Você Vê É o Que Obterá” e era uma frase que permeava as propagandas de programas de editoração eletrônica e impressoras de alta performance.

Basicamente era uma garantia de que sua arte seria impressa exatamente como aparecia na tela do computador mas afirmo que até hoje nunca vi tal exatidão.

Sempre existirá diferenças.


Fiz essa imagem para citar a propaganda de uma marca de impressora publicada no começo dos anos 90 onde a mensagem ironizava as impressoras concorrentes afirmando que “Nem sempre o que se vê é o que se obterá”

Normalmente, após a finalização da arte, eu enviava em baixíssima resolução uma amostra da arte por email e posteriormente levava pessoalmente o arquivo gravado para o cliente.

Lembre-se que era o início da transformação e adaptação de tudo que era até então analógico em digital e para enviar dados não existia ainda banda larga disponível.

Muito bem, foi então que começou a acontecer algo inconveniente e que persiste até os dia de hoje que é a arte digital, existente dentro do computador, enviada para o cliente como cópia digital idêntica ao arquivo da imagem produzida ou seja, o desaparecimento de uma arte fisicamente original.

Ah, é bom lembrar que devido ao ganho de velocidade de execução, independentemente da área que empregasse o uso de computadores e ferramentas digitais, começou a impregnar a ideia de que todo o processo criativo e de finalização “…é o computador quem faz!” e “…basta apertar uma tecla que o trabalho será feito”.

Sim, parece tolice mas acontece, pelo menos na minha área, até os dias de hoje.

Voltando, todas as artes digitais , sem exceção(!), passaram a sofrer a necessidade de ajustes praticamente a todo momento e acontecendo desde o período de produção até após a arte ter sido aprovada, finalizada e entregue; as vezes até mesmo durante seu uso pelo cliente.

É como se o arquivo digital atestasse que qualquer hora é hora para ajustes ou mudanças.

Havia momentos, com o passar do tempo,  que parecia que a arte jamais ficaria pronta.

Coisas do tipo “…sim, sim, havíamos aprovado mas agora muda a perspectiva e troca a cor de azul para vermelho”, “…é rapidinho pois no computador é rápido”, “…queremos agora um fundo com estrelas e constelações ao invés de um degradê apenas”, e ainda hoje casos assim acontecem.

Haha, o mais legal era quando diziam “…pensando bem, vamos usar o primeiro arquivo mesmo”. – Que ódio!!!! Hehe.

Parece piada e mas sim, os clientes abusavam e alguns ainda abo fazem nos dias de hoje mas nada que uma clausula no contrato de prestação de serviços não resolva!

Esse é um exemplo, o contrato,  para mostrar como tanto os artistas quanto os clientes(alguns) aprenderam e adaptaram-se ao mundo digital mas ficou claro que qualquer arte que fosse produzida digitalmente  – 3D ou 2D – seria apenas um arquivo digital e não mais um original.

Atualmente atendo à duas categorias de clientes: empresas e particulares.

Os trabalhos produzidos para empresas(agências, editoras, indústria) praticamente é cem por cento do trabalho em padrão digital.

Já para os clientes particulares são produzidos tanto artes tradicionais(desenho, pintura, giz, aerografia) quanto digitais( entregues como impressos e as vezes como arquivo para impressão que será feita pelos fornecedores do cliente).

E é nesse momento que tenho na prática a distinção do original e da cópia.

Os dois tipos de trabalhos, tradicionais e digitais, demandam tempo e dedicação.

A primeira exige certas condições para ser produzida como espaço físico para acondicionar materiais e produzir as artes, determinar qual tipo de material e em qual tipo de superfície será produzida a arte, fazer a preparação do local de trabalho, preparar a proteção da arte finalizada através de vernizes ou folhas de proteção e é claro, fazer a limpeza de todo material utilizado durante a execução da arte.

Na segunda, a arte digital, o local de trabalho é bem menor em comparação por basicamente necessitar de uma mesa, um laptop, uma mesa digitalizadora, conexão com a internet e no máximo um escâner e/ou uma impressora.

Com a arte finalizada basta enviar o arquivo digital para o cliente e fim de história.

Sim é bem mais prático e rápido mas não possui as marcas físicas do trabalho de execução feita pelo artista, a textura do material ou tridimensionalidade da obra que possam causar o interesse do observador na tentativa de decifrar como foi a execução da obra de arte.

Pode parecer saudosismo ou apenas pensamento tradicional mas mesmo havendo impressoras 3D, ou aquelas que até possam simular o relevo das pinturas ainda teremos obras feitas em simulação e trazidas a vida de forma simulada.

Uso um programa que simula o giz carvão, sobre uma superfície que simula a textura do papel e que será impresso em uma impressora usando um papel liso sem textura(ok , existem papeis com textura mas é uma escolha direcionando o resultado de algo que difere da produção da arte).

O original sempre será um original e para garantir que cópias tenham um valor próximo de algo único é a adaptação do que é feito em artes serigráficas ou xilográficas e que é a serie limitada de impressões em que o artista produz uma série de , exemplo, cinquenta mpressões a partir do original e as assina um a um incluindo um certificado de autenticidade para garantir que não haverá outra série limitada ou um número superior da contagem da série.

Como garantia dessa idoneidade o artista rasga a tela de serigrafia ou quebra a matriz original.

Porém, na arte digital isso é quase que impossível pois não dá para se livrar do “original” digital pois sempre fica uma cópia de reserva perdido em algum hd ou cópias de segurança.

É claro que ele pode gravar um vídeo onde dirá “vejam, estou apagando do meu disco rígido e da lixeira meu arquivo original” mas…como saber que realmente foi apagada?

Não esqueça que o artista manterá essa mesma arte em sua galeria online para exibir seu acervo produzido.

A única garantia que um possuidor de uma arte digital produzida em série limitada será a numeração e a assinatura do artista feita a mão juntamente com o certificado de autenticidade assinado e carimbado.

Uma obra de arte produzida pelo artista tem sempre um objetivo e sua execução é baseada nas técnicas escolhidas pelo artista.

A arte tradicional é pura e palpável enquanto a digital , que nasce e é finalizada dentro do universo digital, emergirá para a realidade como uma representação que indicará sua essência clonável.

O mundo digital nos deu velocidade, potencialização da criatividade e diversas possibilidades de produção em larga escala mas a peça única e original pertence mesmo ao mundo dos vivos.

Bem, se chegou até aqui espero que tenha gostado dessas informações sobre como a era digital impactou o mundo da ilustração.

Obrigado, bons desenhos para você e Sucesso!!

 

 

 

 

Sem comentários

Deixe uma resposta